10 animais que usam drogas na natureza — de álcool a ayahuasca

O ser humano não é a única indivíduo do reino bicho a usar psicotrópicos para modificar suas percepções — aliás, pesquisas apontam que nossa predileção pelo álcool vem de ancestrais símios, que espalharam esse palato a outros macacos. Há muitas outras espécies que gostam de capotar o Corsa de vez em quando, seja com álcool, seja com alucinógenos ou outros estimulantes.

Cá, vamos apresentar uma lista de 10 animais que curtem usar drogas, para tirar um pouco essa percepção de exclusividade do ser humano no mundo ébrio e, é evidente, matar um pouco dessa curiosidade sobre o reino bicho.

O macaco-aranha-de-Geoffroy é uma das espécies de macaco que gosta de comer frutas fermentadas cheias de álcool (Imagem: THP-CreativeEnvato)
O macaco-aranha-de-Geoffroy é uma das espécies de macaco que gosta de consumir frutas fermentadas cheias de álcool (Imagem: THP-CreativeEnvato)

Macacos também bebem

O primeiro réplica da nossa lista é o macaco vervet (Chlorocebus pygerythtus), que se aproveita da droga mais fácil de se encontrar na natureza: o álcool, produzido a partir do açúcar presente nas frutas e algumas outras vegetação. Nesse caso, o macaco invade plantações de cana-de-açúcar, procurando por pés mais velhos e fermentados, enchendo a rosto com o líquido.

O curioso é que estudos mostraram que 4 em cada 5 espécimes do bicho preferem tomar um copo de cachaça a um de chuva, sendo os mais novos os que mais gostam de álcool. A má influência, aparentemente, somos nós — que levamos a espécie à ilhéu de São Cristóvão (do país São Cristóvão e Neves), no Caribe, há 300 anos, onde os macaquinhos conheceram e curtiram a chuva que passarinho não bebe.

Larvas do pó

Outra droga no rol da curtição dos bichos é a cocaína. Mas não é, na verdade, na forma refinada em pó que conhecemos, mas sim a forma bruta, concentrada e excitante da própria folha da coca, Erythroxylum coca. O apreciador da vez é a larva da mariposa Eloria oyesi, que se alimenta exclusivamente da vegetal. O palato é tamanho que alguns biólogos lutam pela conservação das plantações ilegais unicamente para ajudar na preservação dos insetos.

Ratatouille da cachaça

Já o Ptilocercus lowii, um mamífero espargido uma vez que musaranho, é um pequeno bichinho de 10 cm da Tailândia e partes da Ásia que entorna valendo todas as noites: no caso, o néctar fermentado de uma palmeira, que equivale, para nós humanos a 10 ou até 12 taças de vinho. A diferença é que o musaranho não fica bêbado, já que transforma a maior secção do álcool em um constituído que ajuda seus pelos a crescerem.

Pode não parecer pelo tamanho, mas os pequenos musaranhos bebem muito todos os dias — mas não ficam bêbados (Imagem: Creative Nature_nl/Envato)
Pode não parecer pelo tamanho, mas os pequenos musaranhos bebem muito todos os dias — mas não ficam bêbados (Imagem: Creative Nature_nl/Envato)

Gatos da grama

Essa é talvez a mais conhecida da lista: a grama de gato ou catnip (Nepeta cataria) é uma vegetal que deixa os gatos muito loucos — tão loucos, na verdade, que os cientistas afirmam ter o mesmo efeito nos felinos que o LSD tem nos humanos, funcionando uma vez que alucinógeno, dando sensações de relaxamento e prazer.

A grama simula feromônios, hormônios ligados ao sexo, e é por isso que a maioria dos gatos não resiste ao seu cheiro, se esfregando na substância e ficando hiperativo, se for um bicho geralmente repousado. Já os agitados, podem se acalmar com o catnip. Alguns bichanos, no entanto, herdam uma isenção dos seus ancestrais: tapume de 30% deles não dá esfera para a grama de gato.

Wallabies, os cangurus do ópio

O maior produtor de ópio legalizado do mundo é a Austrália — e é evidente que qualquer bicho iria se aproveitar das plantações. Esse bicho é o wallaby, uma espécie parente do canguru, só que menor, que se sente muito ao ingerir a substância. Muito talvez seja um eufemismo: eles ficam doidões, se unem em bandos e pulam em círculos nas plantações. O problema é tamanho que já chegou até ao parlamento do país.

Onças anti-Proerd

Um felino maior do que os gatos — as onças-pintadas — também tem a sua droga de estimação. Nesse caso, a Ayahuasca (Banisteriopsis), vegetal utilizada na mistura do chá em questão, é ingerida pelos bichos. A única incerteza é se eles o fazem para vomitar quando não estão muito, uma vez que os gatos fazem com a grama, para aguçar os sentidos na hora de caçar ou só para permanecer alterados, mesmo.

As onças-pintadas, ao contrário do leão do Proerd, curtem ficar doidonas em uma planta, no caso, a que dá base ao Ayahuasca (Imagem: sergeyskleznev/Envato)
As onças-pintadas, ao contrário do leão do Proerd, curtem uma vegetal que dá base ao Ayahuasca (Imagem: sergeyskleznev/Envato)

Abelhas pinguças

As abelhas, na verdade, gostam de tudo que contenha álcool, seja néctar fermentado ou etanol puro, conseguindo tomar até o equivalente a 10 copos de vinho dada a oportunidade. O bichinho, nessas condições, fica muito irritado, e, caso volte para a colmeia nesse estado, é expulso do lugar até permanecer sóbrio. Qualquer semelhança com festas de família é mera coincidência, mesmo porque há uma grande diferença: caso isso se repita muitas vezes, as outras abelhas arrancam os membros da bebum uma vez que lição.

Carneiros doidões

A América do Setentrião, mormente as Montanhas Rochosas, abrigam carneiros selvagens (Ovis canadensis), onde cresce um líquen mormente alucinógeno, com efeitos poderosos para os bichos. A questão é que ele é vasqueiro, mas os carneiros gostam tanto dele que acabam subindo em locais perigosos só para ter aproximação à substância.

Cavalos viajantes

Quando cavalos comem uma vegetal da família Fabaceae, conhecida uma vez que crazy weed (grama louca), em inglês, o efeito é esse que você está pensando mesmo: a visão embaralha, a coordenação é afetada e os bichos ficam muito relaxados, praticamente uma vez que o álcool faz com os humanos.

O problema é que quaisquer estímulos, uma vez que o voo de uma mariposa, pode afetar o cavalo a ponto dele permanecer nervoso demais, ter uma espécie de bad trip. Os animais, na verdade, geralmente ingerem a vegetal sem querer, quando o inverno cobre os pastos, mas deixa as Fabaceae à mostra. Alguns estudos apontam que o uso excessivo da substância pode motivar depressão e muita perda de peso nos cavalos.

Os macacos-prego ficam doidões de centopeia — e ainda por cima compartilham o bicho com seus amigos (Imagem: Olivier Le Moal/Envato)
Os macacos-prego ficam doidões de centopeia — e ainda por cima compartilham o bicho com seus amigos (Imagem: Olivier Le Moal/Envato)

Passa a centopeia?

Não é só de vegetal e álcool que vive o bicho. Para alguns bichos, outras espécies é que trazem o efeito psicotrópico. Os macacos-prego (sapajus), por exemplo, se lambuzam na gosma protetora tóxica de uma espécie de centopeia, que, inicialmente, tem o efeito de proteger os macacos de parasitas e insetos.

Só que, quando usam a substância, os bichos entram em um tipo de transe, uma viagem de lagarta. O mais curioso é que, quando estão “usando” o bicho, os macacos o passam de um sujeito para outro, uma vez que um ritual social.

Manancial: CVJ, Phytochemistry, LiveScience, EWT, IFLScience, Folia Primatologica, JAS, OSU, BBC

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