Opinião – De Grão em Grão: Descubra porquê determinar uma ação ou FII por meio de seus dividendos

A maioria dos investidores não entende a real relação entre o dividendo e o preço de um ativo. A compreensão desta relação é fundamental para estudar o revérbero das variáveis econômicas sobre o preço do ativo. Explico aquém os fatores que afetam o preço de uma ação ou de um fundo imobiliário (FII).

O preço de uma ação ou de um fundo imobiliário pode ser interpretado porquê um “cofre remunerado” no qual estão guardados todos os dividendos que serão pagos pelo resto da vida do ativo.

Isso mesmo, no preço já está incluído todos os dividendos futuros a serem recebidos. Vou explicar com um exemplo de FII. Mas, para ações o mesmo raciocínio pode ser aplicado.

De forma simplificada, o valor justo de um ativo pode ser explicado por três fatores: o valor do dividendo no próximo período, a taxa de prolongamento destes dividendos ao longo dos anos e a taxa de juros para descontar os dividendos a valor presente. Vamos principiar com um exemplo para as duas primeiras variáveis.

Considere um FII que espera remunerar R$ 8 por quota em dividendos dentro de um ano, a partir de hoje. Vamos invocar o momento deste primeiro pagamento de Ano 1.

Assuma que nascente dividendo cresce com a inflação esperada de 6% ao ano e uma taxa real de prolongamento de 0,5% ao ano.

Esta taxa de prolongamento real pode ser estimada pela capacidade do gestor em encontrar imóveis que sejam muito demandados e, portanto, seus aluguéis possam se valorizar mais que a inflação no longo prazo. Para uma ação, ela representaria a capacidade de a empresa sublevar, anualmente, a quantidade de produtos vendidos ou melhorar o preço de venda supra da inflação.

Com o prolongamento de 6,5% ao ano, no Ano 2, o dividendo por quota será de R$ 8,6, depois passa para R$ 9,2 no Ano 3, R$ 9,8 no Ano 4 e segue crescendo nesta taxa pelos próximos 300 anos, por exemplo. A tábua aquém apresenta estes dividendos na segunda pilastra até o vigésimo ano.

Você consegue imaginar qual será o dividendo por quota deste FII no Ano 200, seguindo esta taxa de prolongamento de 6,5% ao ano?

No Ano 200, o dividendo será de R$ 5.629.395,3. Calma, porquê essa serra de verba caberia dentro do preço atual? Qual deveria ser o valor da quota desse FII para caber todo nascente montante?

Ocorre que o valor guardado no “cofre”, ou seja, no preço, não é exatamente nascente montante, mas o valor presente dele.

Imagine que você tem hoje R$ 6,96. Você pode investir nascente recurso em uma taxa de juros de 15% ao ano e ele vai se transformar em R$ 8 em um ano. Se você tem R$ 5,6 e aplica a uma taxa de juros de 15%, você vai ter R$ 9,8 em 4 anos. E, se você tem R$ 0,000004 e aplica a 15% ao ano, vai ter R$ 5.629.395,3 em 200 anos.

O valor presente do dividendo no Ano 1 de R$ 8 é R$ 6,96. Assim porquê, o valor presente do dividendo no Ano 200 é exclusivamente R$ 0,000004. Ficou evidente que o valor presente de cada um dos dividendos cai significativamente com o tempo? Isso é um revérbero da formação dos juros no tempo.

Assim, o valor guardado no “cofre remunerado”, ou seja, no preço da quota de hoje, é exclusivamente o valor presente destes dividendos. A tábua supra apresenta o dividendo esperado e o seu respectivo valor presente até o décimo sexto ano.

Quando somamos o valor presente de todos os dividendos, encontramos o valor de R$100 por quota neste exemplo.

Considerando o dividendo de R$ 8 e o preço de R$ 100, podemos calcular o indicador muito escoltado para quem investe em FIIs, o Dividend Yield (DY), ou Taxa de Dividendo.

O DY deste FII seria de 8% ao ano (= R$ 8/ R$100). Esta taxa de dividendo é similar à dos FIIs de logística negociados no mercado, atualmente.

Porquê esse preço é o “cofre remunerado”, toda vez que um dividendo é pago, nascente valor de dividendo sai de dentro do cofre e, portanto, o preço cai de valor no momento.

Por exemplo, no final do Ano 1, logo antes de você receber o dividendo, o valor do FII seria de R$ 115. No momento seguinte em que o dividendo é pago, você tem R$ 8 no bolso e uma quota no valor de R$ 107. A soma dos dois valores é igual ao preço logo antes do pagamento. Isso é mostrado na figura aquém, nas linhas identificadas porquê VIII, IX e XII.

O valor de R$ 107 (no Ano 1 e risca VIII) é encontrado pela soma do valor presente dos 299 dividendos ainda a serem recebidos.

O preço de R$ 100 é o valor justo atual deste FII, pois representa o valor presente de todos os dividendos que você vai receber no porvir. O preço negociado no mercado pode ser igual ou dissemelhante deste valor justo.

Se o preço negociado no mercado for igual ao valor justo, você vai lucrar de rendimento, anualmente, o percentual equivalente à taxa de juros que desconta os dividendos a valor presente. Em nosso exemplo a taxa é de 15% ao ano. Secção deste rendimento é recebido na forma de dividendos e segmento em proveito de capital. No nosso exemplo, 8% é o proveito de dividendo e 7% representam o proveito de capital.

Veja que o proveito de dividendos, ao contrário do que muitos acreditam, não é suplementar ao seu proveito totalidade, mas faz segmento deste. E nascente rendimento totalidade é definido pela taxa de desconto.

Se o preço negociado no mercado for menor que o valor justo, seu rendimento esperado será maior que esta taxa de juros de desconto.

Perceba que a definição desta taxa de desconto é importantíssima. Você pode determiná-la pela estimação de três variáveis: inflação esperada, taxa de juros real e prêmio de risco. Veja o exemplo que utilizamos na figura supra nas linhas identificadas de I a III.

Os dois primeiros fatores podem ser extraídos de expectativas de mercado. O prêmio de risco é o único que você mesmo terá de definir.

Para fundos imobiliários, um prêmio de risco entre 2% e 3% é muito razoável pela segurança de recebimento dos fluxos.

No caso de ações, porquê há maior incerteza sobre os fluxos de dividendos futuros, esse prêmio de risco deve variar de 3% até mais de 8% ao ano.

Elaborei uma planilha para você simular o preço de ativos alterando estes fatores que mencionamos. Disponibilizo a planilha neste link. As células que você precisa modificar são as identificadas na cor amarela. Oriente é um exemplo do que é chamado padrão de dividendos descontados para avaliação de ações e de fundos imobiliários.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Lar do Investidor

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Caso tenham dúvidas ou sugestões de temas que gostariam de ver comentadas cá, por obséquio, fiquem à vontade para enviar por e-mail.



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