Petrobras é mira de processo na CVM em seguida repúdio de presidente

Foto: Fernando Frazão/Escritório Brasil/Registo
Órgão que fiscaliza mercado financeiro vai investigar divulgação de notícias sobre a estatal 20 de junho de 2022 | 13:36

Petrobras é mira de processo na CVM em seguida repúdio de presidente

A CVM (Percentagem de Valores Mobiliários) abriu nesta segunda-feira (20) processo administrativo para investigar a divulgação de notícias sobre a Petrobras, que confirmou a repúdio de seu presidente, José Mauro Coelho.

O processo foi franco pela supervisão responsável por indagar a divulgação de comunicados, notícias ou fatos relevantes por companhias com ações negociadas em Bolsa. A CVM não comenta o texto dos processos.

As notícias sobre a decisão de Coelho começaram a circundar ainda no domingo (19). O transmitido solene foi divulgado pela Petrobras pouco antes das 10h, levando à suspensão das negociações com ações da estatal na Bolsa de São Paulo.

A retirada temporária de uma ação do pregão é adotada sempre que há alguma divulgação ou movimento de mercado capaz de provocar oscilações potencialmente prejudiciais à operação. Em seguida a repúdio, as ações tiveram possante oscilação na Bolsa.

Às 12h28, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiam 0,40%, a R$ 30,04. Os papéis preferenciais (PETR4) ganhavam 0,37%, cotados em R$ 27,42. No pausa entre as suspensões, por volta das 11h, ambas chegaram a desabar mais de 4%.

No termo de semana, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados deram uma série de declarações com potencial de impactar as ações da companhia. Bolsonaro chegou a expressar que a empresa perderia R$ 30 bilhões em valor de mercado nesta segunda.

A investigação oportunidade nesta segunda é a quinta relacionada à divulgação de informações pela estatal somente neste ano.

A CVM decidiu furar investigação sobre a divulgação da troca no comando da Petrobras. O processo avaliará se a notícia ao mercado seguiu as regras estabelecidas para companhias abertas.

Em março, a conturbada troca no comando da Petrobras também foi mira de investigações da CVM. As primeiras informações sobre a exoneração do general Joaquim Silva e Luna saíram no meio da tarde do dia 20, mas a estatal só enviou transmitido à CVM em seguida as 20h.

Processo semelhante foi franco em maio de 2021 em seguida a exoneração do presidente anterior da estatal, Roberto Castello Branco, anunciada por Bolsonaro em live no Facebook e só confirmada pela Petrobras no dia seguinte.

As declarações levaram a empresa a perder R$ 102,5 bilhões em valor de mercado em somente um dia, com os investidores temendo mediação na gestão da companhia e em sua política de preços dos combustíveis.

Nicola Pamplona, Folhapress

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