Poupança das famílias brasileiras encolhe pela primeira vez na pandemia

Foto: Tiago Queiroz/Estadão/Registo
Saldo de poupança financeira acumulada caiu de R$ 529,6 bilhões para R$ 497,1 bilhões 20 de junho de 2022 | 17:45

Poupança das famílias brasileiras encolhe pela primeira vez na pandemia

A poupança das famílias brasileiras encolheu no primeiro trimestre de 2022, na primeira variação negativa desde o início da pandemia. Fatores uma vez que a queda na renda do brasiliano, o resfriamento da crise sanitária e o retorno ao padrão de consumo pré-Covid estão entre as explicações para esse movimento.

O saldo de poupança financeira acumulada caiu de R$ 529,6 bilhões para R$ 497,1 bilhões, uma redução de R$ 32,4 bilhões (ou 6,1%) em relação a dezembro de 2021, segundo levantamento do Cemec-Fipe (Núcleo de Estudos de Mercado de Capitais da Instalação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Os dados consideram diversas formas de poupar recursos, uma vez que caderneta, fundos de investimento e ações.

Segundo a instituição, uma verosímil explicação para a queda da poupança financeira é que o controle da pandemia levou à flexibilização do distanciamento social e reduziu a incerteza, de modo que as famílias começaram a retornar gradativamente ao padrão de consumo anterior.

Na hipótese de os resultados do primeiro trimestre indicarem o início de um processo de uso da poupança acumulada para substanciar a demanda, diz o Cemec, esse movimento tem potencial para mudar as projeções do consumo e do PIB para 2022. O saldo reunido representa tapume de 9% do consumo totalidade de 2021.

Os dados mais recentes do IBGE mostraram que o consumo das famílias avançou no primeiro trimestre, superando o patamar pré-pandemia, e ajudou a prometer o incremento do PIB (Resultado Interno Bruto) no período. A subida da inflação, no entanto, é uma prenúncio a esse movimento.

O Cemec também registrou mudança no perfil dessas aplicações financeiras, com a transmigração de recursos de cadernetas, fundos de investimento e ações para outros ativos de renda fixa, liderados por títulos de captação bancária (LF, LCA, LCI), depósitos a prazo, títulos de dívida privada e títulos públicos.

Olhando somente para a caderneta, as famílias de renda mais baixa já haviam iniciado esse processo de redução de poupança no ano pretérito, o que pode refletir a utilização desses recursos para complementar o orçamento doméstico, pressionado com a possante elevação dos preços de itens básicos, segundo o Cemec.

Nas faixas de maior valor, variações negativas começaram a ser vistas no primeiro trimestre de 2022. “A hipótese é que a maior segmento da queda do saldo de poupança das famílias com faixas de saldos mais elevados foi realocada para aplicações mais rentáveis de renda fixa, favorecidas pelo aumento da taxa de juros”.

Eduardo Cucolo/Folhapress

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