Quem é Gustavo Petro, o 1º presidente de esquerda da Colômbia

Foto: Daniel Muñoz/AFP
Ex-guerrilheiro do grupo armado M-19, eleito já foi senador e prefeito de Bogotá 19 de junho de 2022 | 19:15

Quem é Gustavo Petro, o 1º presidente de esquerda da Colômbia

O candidato eleito neste domingo (19) na Colômbia chega à Presidência posteriormente três tentativas. Gustavo Petro, 62, concorreu em 2010, quando ficou de fora do segundo vez, em pleito vencido por Juan Manuel Santos. Em 2018, chegou à rodada final e perdeu por pequena margem para Iván Duque.

Nascido em Ciénaga de Oro, no setentrião do país, Petro está na política desde que estudava economia em Zipaquirá. Aos 17, ingressou na guerrilha M-19. Devido à atuação no grupo, foi recluso por conspiração e porte proibido de armas em 1985 e ficou detrás das grades por 18 meses —diz ter sido torturado no período.

Petro estava recluso quando o M-19 perpetrou um dos atentados mais violentos da história do país, a invasão do Palácio da Justiça, em 1985. A ação deixou 101 mortos, entre os quais vários ministros da Suprema Namoro da Colômbia. Em seguida assinar um negócio com o Estado, em 1990, o M-19 se desmobilizou e passou a participar da política colombiana, formando segmento da Plenário Constituinte de 1991, que redigiu a Constituição atual. A partir daí, vários membros abraçaram o caminho da política democrática.

O presidente eleito foi um deles. Rejeitou a luta armada e se elegeu para o Congresso. Foi senador em duas ocasiões e, em 2012, tornou-se prefeito de Bogotá. No ano seguinte, foi retirado pela Justiça por uma suposta irregularidade na coleta de lixo da cidade. O caso foi parar na Namoro Interamericana de Direitos Humanos, que recomendou a recondução ao posto, o que ocorreu quatro meses mais tarde.

O incidente do isolamento foi o que o projetou nacionalmente. Em um protesto que lotou a rossio Bolívar para pedir o retorno dele ao função, Petro afirmou: “Quero que sejam conscientes de que começamos a viver dias de história. Esta não é só mais uma revelação”. A partir de portanto, foi se consolidando uma vez que grande orador. Nesta campanha, seus comícios atraíram multidões em povoados longínquos do país.

Em 2016, apoiou as negociações levadas adiante por Juan Manuel Santos e o negócio firmado com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Na trajetória uma vez que parlamentar e prefeito, foi um duro opositor do uribismo e do enfrentamento armado às guerrilhas. Prometeu, na campanha, que reabriria o diálogo com o ELN (Tropa de Libertação Vernáculo), suspenso por Duque.

Por outro lado, os discursos contra a “oligarquia” colombiana e a proximidade com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, assim uma vez que seu pretérito na luta armada, transformaram-no em cândido de críticas da direita. Petro, porém, afirma que seu governo em zero se parecerá ao regime chavista. “Chávez fez com que a Venezuela passasse a ser ainda mais dependente do petróleo, proponho o contrário.”

Petro também condena as violações aos direitos humanos do regime chavista e afirma que não realizará expropriações nem atuará para que a Colômbia deixe de ser um país desimpedido a investimentos. Promete, ainda, uma reforma para que os superricos —murado de 4.000 pessoas no país— paguem mais impostos, que seriam destinados a aplacar a pobreza. De negócio com o recenseamento de 2018, os pobres representam 33% da população, mas estima-se que esse número já tenha chegado a 40% com o impacto da pandemia.

Entre suas promessas está a de que a Colômbia deixe de depender de uma economia extrativista e aposte numa reforma agrária. “Que o campo forneça nossas principais riquezas”, afirma. Segundo ele, o fortalecimento da economia no interno do país também seria um instrumento para chegar à tão sonhada silêncio com a rescisão das facções criminosas que hoje atuam no narcotráfico.

O novo presidente colombiano é fruto de uma dona de moradia, Clara Nubia Urrego, e de um professor de escola primária, Gustavo Petro Sierra. Mudou-se do setentrião do país a Zipaquirá para estudar. Em uma entrevista, sua filha, Sofia, afirmou que seu pai ainda tem muito o que aprender sobre feminismo.

“Ele faz segmento dessa esquerda em que o problema de gênero não era médio.” O próprio Petro reconhece que se esforça para melhorar nesse quesito. Nas últimas semanas, Sofia entrou na campanha, falando e usando camisetas reivindicando o feminismo. Conta que se lembra de ver o pai chorar quando Che Guevara foi assassinado, em 1967, e diz que se formou num envolvente de esquerda. Em 1973, seria a vez de ele mesmo se enternecer, uma vez que conta em suas memórias, ao presenciar ao bombardeio do Palácio de La Moneda, no Chile, durante o golpe militar que deu início a uma longa ditadura naquele país (1973-1990).

Influenciado pelo pai e pelos eventos políticos que presenciou, leu as obras de Lênin e Marx ainda na puberdade. Fã da literatura do Nobel Gabriel García Márquez (1927-2014), adotou o pseudônimo de Aureliano ao entrar na guerrilha, uma homenagem a Aureliano Buendía, de “Século Anos de Solidão”.

Sylvia Colombo / Folha de São Paulo



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