Se a PF prendeu, tem um motivo, diz Bolsonaro sobre ex-ministro da Instrução

Foto: Gabriela Biló/Registo/Estadão
O presidente Jair Bolsonaro 22 de junho de 2022 | 10:08

Se a PF prendeu, tem um motivo, diz Bolsonaro sobre ex-ministro da Instrução

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira que o ex-ministro Milton Ribeiro (Instrução), recluso pela Polícia Federalista nesta quarta-feira (22), deve responder pelos seus atos.

“Ele que responda pelos atos dele”, disse o presidente, em entrevista à rádio Itatiaia de Minas Gerais. “Se a PF prendeu, tem um motivo”, completou.

Ainda na entrevista, Bolsonaro disse que Ribeiro mantinha “conversa informal demais com pessoas de crédito dele” e que isso pode ter o prejudicado. O presidente disse ainda que a operação desta quarta-feira é sinal de que a Polícia Federalista está trabalhando em seu governo, sem interferência.

Dias antes de demiti-lo, em março pretérito, Bolsonaro disse que colocava a ‘rostro no incêndio’ por Ribeiro, que é evangélico e pastor, mas diante das revelações perdeu o escora até mesmo de integrantes da bancada evangélica no Congresso.

O director do Executivo afirmou que sabe que “a prensa vai expressar” que Ribeiro é ligado a ele, mas que é preciso ter “paciência” em relação a isso. “Se tiver alguma coisa de incorrecto, ele vai responder. Se tiver. Se for simples, sem problema; se for culpado, vai remunerar.”

O mandatário disse que “houve denúncia” de que o ex-ministro “teria buscado prefeito, gente dele para negociar, buscar recurso” e que logo o “afastou” do missão. Na veras, porém, a exoneração, conforme foi publicado no Quotidiano Solene, ocorreu “a pedido” de Ribeiro, e não pode ordem de Bolsonaro.

O presidente também disse que não pode ser responsabilizado pelo caso porque não consegue ter controle sobre todos os ministérios e secretarias do Executivo.

“A gente não compactua com zero disso. Agora, não sei qual a profundidade dessa investigação. No meu entender, não é aquela orgânica, porque nós temos os compliances nos ministérios”, disse.

A Polícia Federalista realiza na manhã desta quarta-feira (22) uma operação contra o Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar um balcão de negócios no Ministério da Instrução e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Vernáculo de Desenvolvimento da Instrução).

Ribeiro e ao menos um dos pastores, Gilmar Santos, já foram presos.

A PF também cumpre mandados de procura e consumição em endereços de Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos —esses dois últimos são ligados a Bolsonaro e apontados porquê lobistas que atuavam no MEC.

A ação foi batizada de Aproximação Pago e investiga a prática de “tráfico de influência e depravação para a liberação de recursos públicos” do FNDE.

Com base em documentos, depoimentos e um relatório da CGU (Controladoria-Universal da União) foi verosímil mapear indícios de crimes na liberação de verbas do fundo. Ao todo, são cumpridos 13 mandados de procura e consumição e cinco de prisões em Goiás, São Paulo, Pará e Região Federalista.

Os pastores são peças centrais no escândalo do balcão de negócios do ministério. Porquê mostrou a Folha, eles negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais mesmo sem ter missão no governo.

Os recursos são do FNDE, órgão ligado ao MEC controlado por políticos do centrão, conjunto político que dá sustentação a Bolsonaro desde que ele se viu ameaçado por uma série de pedidos de impeachment e recorreu a esse escora em troca de cargos e repasses de verbas federais.

O fundo concentra os recursos federais destinados a transferências para municípios.

Prefeitos relataram pedidos de propina, até em ouro.

Em áudio revelado pela Folha, o ex-ministro da Instrução Milton Ribeiro disse que priorizava pedidos dos amigos de um dos pastores a pedido de Bolsonaro.

Na gravação, o ministro diz ainda que isso atende a uma solicitação do presidente Bolsonaro e menciona pedidos de escora que seriam supostamente direcionados para construção de igrejas. A atuação dos pastores junto ao MEC foi revelada anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ribeiro deixou o missão no termo de março, uma semana posteriormente a revelação pela Folha. ​

Gilmar Santos e Arilton Moura negociavam, ao menos desde janeiro de 2021, a liberação de empenhos para obras de creches, escolas, quadras ou para compra de equipamentos. Os recursos são geridos pelo FNDE, órgão do MEC controlado por políticos do centrão.

Os pastores gozavam de trânsito livre no governo, organizavam viagens do ministro com lideranças do FNDE e intermediavam encontros de prefeitos na própria residência de Ribeiro.

Ambos tinham em um hotel de Brasília uma espécie de QG para negociação de recursos. Ali, recebiam prefeitos, assessores municipais e também integrantes do governo.

Folhapress

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